domingo, 23 de outubro de 2016

A História de Kratos [God of War]

Bem,vamos lá...

Antes de começarmos a falar dos games, vale fazer uma breve explicação sobre mitologia: na antiguidade clássica, os gregos entendiam os fenômenos do mundo através de mitos, que incluiam deuses, semideuses e heróis; ao contrário de muitas religiões atuais, a fé da época era majoritariamente politeísta, ou seja, em vez de um Deus único, havia um panteão cujos integrantes representavam vários aspectos da natureza e até conceitos abstratos. Esta forma de explicar o mundo foi muito importante para o desenvolvimento do pensamento ocidental.

Apesar de viver neste cenário fantástico, Kratos não fez parte dos mitos clássicos – ele é uma criação do estúdio Santa Monica, interpretado pelo ator britânico Joseph Gatt (que fez a captura de movimentos do personagem) e dublado pelo americano Terrence Carson, que deu vida aos berros do herói.

O Kratos, ou Cratus, da mitologia, é originalmente filho do titã Palas, filho de Crio; e Estige, uma ninfa, filha de Tétis. Irmão de Niké (Vitória), Bias (Força) e Zelo (Grandeza e Rivalidade), o Kratos mitológico era a personificação do Poder, o que inspirou David Jaffe, diretor da série, a direcionar os games da franquia, que seguiram cronologia própria e bastante diferente da tradição grega.

Porém, apesar deste distanciamento da mitologia original, a franquia GoW acabou se tornando uma alegoria para vários conflitos interpressoais bastante contemporâneos, como a consequência de ações intempestivas que só podem ser sanados mediante grande sacríficio – e não poderia ser diferente, já que, como muitas histórias da época, o Kratos dos videogames é um exemplo de herói trágico.

Problemas com a família

Profecias antigas previam que o crepúsculo dos deuses gregos ocorreriam pelas mãos dos furiosos Titãs. Porém, segundo a visão de um oráculo, o fim do Olimpo não se daria por estas criaturas, mas sim pelas mãos de um mortal. Zeus, soberano dos deuses, acreditava que este mortal seria o guerreiro Deimos, por conta de suas estranhas marcas de nascença.

O jovem Deimos, que junto com seu irmão Kratos treina para fazer parte do exército espartano, é sequestrado pelo deus da guerra Ares. Seu irmão tenta impedir o rapto, mas sofre uma derrota que deixa marca em seu olho esquerdo. Deimos é levado para o reino da morte, onde é torturado por Thanatos.

Acreditando que seu irmão está morto, Kratos faz uma série de tatuagens vermelhas, imitando as marcas de nascença de Deimos. Os anos passam, e Kratosconsegue se tornar um jovem capitão do exército espartano, uma organização militar conhecida pela sua tenacidade.

Durante a campanha contra uma horda de bárbaros, oKratos foi encurralado e estava prestes a ser morto. Porém, na hora do aperto ele evocou o nome de Ares, rogando força para destruir seus inimigos em troca de servidão ao então deus da guerra.

Ares fez a sua parte, e permitiu que Kratos liberasse um ciclone de destruição, rechaçando seus inimigos. Porém, o preço do poder veio junto com o bônus: a partir daquele momento, o mortal estava acorrentado às Lâminas do Caos, que lhe davam poder ao mesmo tempo que eram o símbolo de sua servidão.

O fantasma de Esparta

Kratos serviu Ares com devoção, matando centenas em nome do olimpiano. Porém, dedicação não era suficiente para o deus da guerra: ele queria uma máquina de matar focada, que o seguisse cegamente, o guerreiro perfeito. Para isto, alguns “obstáculos” precisavam ser removidos do caminho, como a ligação de Kratos aos demais mortais.

Para eliminar esta fraqueza, Ares enganou Kratos e fez com que ele, cegado pelo instinto assassino, tirasse a vida de sua mulher e filha, que estavam escondidas no templo localizado em uma vila castigada pelo combate. Percebendo a consequência de suas ações, Kratos renuncia a servidão a Ares, mas acaba sendo amaldiçoado pelo oráculo da vila a carregar a cor das cinzas dos mortos em sua pele.

Buscando a redenção, Kratos concorda relutantemente em servir outros deuses em troca do perdão pelos seus crimes. Ele luta em Attica contra a invasão do exército persa e consegue evitar a tomada da cidade. Porém, sobra pouco tempo para comemorar a vitória, já que após a batalha, o mundo acaba coberto de trevas graças ao estranho desaparecimento do deus sol Hélios.

As correntes do Olimpo

A nova missão do guerreiro e descobrir o paradeiro de Hélios, que coloca o personagem em rota de colisão com o titã Atlas, sequestrador da divindade. Durante esta jornada, Kratos é tentado pela deusa Perséfone, que habita o Hades após ter sido abandonada por Zeus. A deusa possibilita o encontro do espartano com sua falecida filha, mas esta reunião de família poderia resultar no fim do mundo como o conhecemos, já que Atlas aproveitou a distração de Kratos para utilizar o poder de Hélios em um plano que destruiria o pilar que sustenta o monte Olimpo.

Forçado a escolher entre a sua filha e os deuses, Kratosfica com a segunda opção, matando Perséfone e prendendo Atlas no pilar do mundo e sofrendo, uma vez mais, com a separação – desta vez definitiva.

Acertando as contas com Ares

A próxima missão do espartano foi dada diretamente por Athena. Quando sua cidade, Atenas, estava sendo destruída por Ares e seus exércitos, a deusa recorreu aKratos, dando-lhe a tarefa de matar o deus da guerra em troca do perdão pelos seus pecados. Porém,Kratos ainda era mortal, e para acabar com Ares ele precisava de uma fonte adicional de poder, algo que pudesse derrotar até mesmo um residente do olimpo.

Começa assim a busca pela lendária caixa de Pandora, um item lendário que poderia fazer a balança pender a favor do espartano. Depois de passar por uma série de testes, Kratos recupera o artefato e consegue derrotar Ares, mas matar o deus traz pouca satisfação ao guerreiro, que se vê novamente deprimido.


O problema é que, mesmo após executar a tarefa dada por Athena, Kratos ainda é assombrado pelas visões do passado, já que alguns atos são tão terríveis que nem mesmo os deuses conseguem apagá-los. Por conta disso, Kratos resolve acabar com o seu sofrimento pulando de um precipício.

Mas antes que a queda fatal chegasse ao fim, ele é resgatado por Athena, que oferece a ele o posto de deus da guerra. Kratos então passa a ocupar uma cadeira em meio aos olímpicos, sentando lado a lado aos seus antigos mestres.

Em busca do passado

Mas nem mesmo o novo status divino conseguiu aplacar a angustia no coração do espartano, por isso ele decidiu se reconciliar com o passado. Contrariando o conselho de Athena, Kratos iniciou uma jornada até a Atlântida em busca de sua mãe, Callisto.

Quando Calliope estava prestes a revelar ao espartano a identidade de seu pai, ela foi transformada contra sua vontade em uma besta horrenda, e Kratos teve de matá-la, ficando sem as respostas que tanto desejou. Mas antes de morrer, Calliope conseguiu revelar que Deimos ainda estava vivo, dando início a uma nova aventura.

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